quinta-feira, 5 de setembro de 2013

HOMENAGEM AOS BOMBEIROS DE PORTUGAL

ACRÓSTICO DE RECONHECIMENTO E GRATIDÃO

B   riosos lutadores contra o inferno
O  nde as chamas devoram a paisagem,
M ilitam com denodo e com coragem,
B  atem-se a debelar um perigo interno
E  ntrando decididos no averno
I   indómito, no pico da estiagem...
R  ecobram as riquezas da voragem
O  nde o horror é cíclico e eterno.
S  ubmersos num terror de fogo e chamas
D  esprezam o conforto em fofas camas
E  nquanto outros dormitam nos seus leitos...
P  rescrevem para si a ousadia...
O  usar é seu condão do dia a dia
R  esolutos, à luta ... sempre, afeitos.
T  endo por lema a luta e a entrega,
U  nidos, sempre alerta no seu posto,
G  arantem o que é justo e não se nega...
A  vançam como herói que na refrega
L  evanta, erguido, o peito... e, dá o rosto.

     Matos Serra

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

HOMENAGEM A TOMÁS ALCAIDE

A Tomás Alcaide, grande cantor lírico, natural de Estremoz, uma das mais belas vozes portuguesas de sempre, que eu costumo apelidar de "UMA VOZ DA PLANÍCIE" em louvor das gentes alentejanas.

TÍTULO DO POEMA: A RIQUEZA EM TUA VOZ

Andaste plagiando os rouxinóis
em ledas madrugadas e em tardes de arrebois...

E, roubaste ao vento uma harpa de encantar
para competires com Zéfiro, ciciante sobre o mar.

Andaste imitando o murmúrio da cachoeira
para espalhares alvoradas de som p'la Terra Inteira...

Andaste reproduzindo o soprar da terna brisa
e copiando o meigo Bóreas que desliza...

Retiraste à natureza os dons da melodia
para dares o tom e a cor à poesia...

E, colocaste tudo isso em tua voz
para conseguires desvanecer a todos nós.

E ganhou tanto... a cultura em Portugal,
com teu talento e tua arte genial...

À tua arte se rendeu todo o mundo, e, na cidade,
tudo o que foi teu hoje é profundo e traz saudade...

E´ foste Alcaide em nome e Alcaide em arte,
para levares nosso lirismo a toda a parte.

  Matos Serra in, Alentejo, Suas Terras e Suas Gentes.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

NÃO DEIXEMOS PERDER A LIBERDADE

NÃO QUEIRAMOS SER POVO ESCRAVO E ESTULTO

SONETO DA INDIGNAÇÃO II

Num mar que invada as ruas da cidade
de gente, e que provoque um tal tumulto
que devaste a afronta e o insulto
e nos traga de volta a dignidade!

Não haverá desculpa nem indulto...
se deixarmos perder a liberdade
para voltarmos a ser a sociedade
de um povo... que nos querem, escravo e estulto.


Que, em nome da Pátria e da razão,
se alevantem as vozes num tal grito!...
a despertar a alma da nação...


porque a hora é de luta e é de ação!....
O que pode ser crime ou ser delito
é calarmos a nossa indignação!


  SÓ NÃO SE INDIGNA PERANTE A PÁTRIA
  MALTRATADA... QUEM EM VEZ DE SANGUE
  PORTUGUÊS TIVER NAS VEIAS ÁGUA CHOCA.

    Matos Serra

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O PÁRA ( QUE NUNCA POR VENCIDO SE CONHEÇA)


            SONETO

Desafiando, audaz, as leis da morte...
o pára... é valente e nunca pára,
pertence, em seu país, à gente rara
que lhe serve de escora e de suporte.

Cultiva o ideal de ser forte...
e, por isso, se treina e se prepara...
servindo a Pátria Amada que lhe é cara
treinando-se na arte de Mavorte!

O pára, ao descer do céu à terra,
mantem-se sempre calmo e consciente...
tanto em tempo de paz como na guerra!

Em qualquer imprevisto que apareça
faz sempre jus ao lema transcendente:
"QUE NUNCA POR VENCIDO SE CONHEÇA"


Matos Serra, Tenente-Coronel, antigo instrutor para-quedista
e veterano de guerra.
Soneto dedicado a todos os seus camaradas de armas.

sábado, 6 de julho de 2013

MARVÃO II

CONCURSO DE POESIA TRADICIONAL, DÉCIMAS - 08/09/2001, Último Ano dos Jogos.
TEMA: MARVÃO
TÍTULO: ALEGORIA DO MARINHEIRO
MOTE DE JOSÉ FANHA
CLASSIFICAÇÃO: 1-º PRÉMIO (Entre algumas centenas de trabalhos)

    MOTE
Marinheiro coração,
toda a vida a navegar...
Se um dia vens a Marvão
nunca mais voltas ao mar.
1
Se quiseres vir instalar-te
na poesia e no sonho,
navegar num mar risonho,
habitar um baluarte...
ou... decidires tomar parte
num perfeito galeão
para teres a gratidão
de um oceano de amor...
vem banhar-te em luz e cor
marinheiro coração.
2
Vem abrir a alma ao vento
e viver junto às estrelas,
onde, à noite, podes vê-las
navegar no Firmamento
para lograres o doce intento
desta Barca do Luar...
ou, se queres vir habitar
mesmo pertinho do céu...
vem... que, aqui, o mundo é teu
toda a vida a navegar.
3
Aqui é porto de abrigo
e repouso do guerreiro,
descanso do marinheiro,
trincheira de qualquer perigo...
o céu e a terra contigo
em perfeita comunhão.
Vem viver num bastião
neste imenso Mar do Sul...
Ficarás ébrio de azul
se um dia vens a Marvão
4
Vem ver as águias vogando
no Mar da Tranquilidade,
em perfeita majestade
no seu voo suave e brando.
Se quiseres viver sonhando
sobe a este patamar...
mas... bem te quero alertar
que... se cá vieres um dia,
te envolves nesta magia...
nunca mais voltas ao mar.

Matos Serra in, Alentejo, Suas Belezas, Suas Terras e Suas Gentes.

terça-feira, 2 de julho de 2013

PERMANÊNCIA

Ambos antecipados
pelo tempo
alastramos na planície
a expectativa ácida
dos limos e da espera

naufrágios ilunares
de veias permanentes

Multiplica sangue
nas mãos
e nos rochedos

sentinelas de vento
no cume dos meus
dedos

RECORDANDO

Maria Teresa Horta in, Poesia Completa 1  - 1960-1966

domingo, 23 de junho de 2013

HEXÂMETROS

HEXÂMETROS PARA UMA MULHER BELA

Tão amorosa e linda,
terna, suave e bela...
eu, cá, não vi, ainda,
beleza igual à dela.

Feliz de quem a ama
e por ela é amado...
e se aquece na chama
do seu fogo sagrado.

Eu sei que vou morrer
de ternura e ciúme...
sem nunca conhecer
o fogo do seu lume.

Que nesse fogo vivo
eu queria ser queimado...
em seu amor cativo
e não mais libertado.

Matos Serra in, Amor e Sensualidade.