SONETO
Se Juno segue, já, a mais de meio...
seu caminho de luz no céu sereno...
chega o calor de Apolo, ainda ameno,
que faz, de cada dia, um bom recreio.
O Júlio entra alegre e não alheio
aos alacres odores, soltos, do feno...
aproxima-se Apolo do seu pleno
e já traz o calor algum receio.
E Cronos traz Augusto, e, vem consigo
o brasido de um mundo em combustão...
cada caule, a secar, é um pavio...
De dia... cada sombra é um abrigo
à espera do consolo de um serão
na calidez, noturna do estio.
Matos Serra in, Belezas do Sul.
domingo, 22 de junho de 2014
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
ALENTEJO, SAUDADES, MÁGOAS E AFETOS
Quantas águas e outras águas
passaram p'las tuas pontes...
e quantas mágoas... e mágoas...
pelos teus montes e fráguas...
Por quantas fráguas e montes!
Quantos trabalhos e dias
e quantas leiras aradas...
Quantas dores e alegrias...
quantas lutas e ousadias...
Quantas frias madrugadas!
Quantos os contos contados
em descuidados serões...
Óh! nos meus tempos passados...
quantos toques de finados...
Doridas recordações!
Quanta gente acompanhei
por quantas ruas e praças...
Quantos? são tantos... nem sei,
nos deixaram e chorei...
com quem antes troquei graças!
Quantos verões e primaveras
que se foram e tornaram
em chegadas de outras eras...
Quantos anseios e quimeras
em outonos que findaram!
Quantos bardos te cantaram...
quantos mais te hão-de cantar...
Quantos versos nos deixaram
poetas que conjugaram
as formas do verbo amar!...
Meu Alentejo de amores,
de afetos e amizades...
de graças, risos e flores...
de mágoas, penas e dores
e tantas, tantas... saudades!
Quantas folhas que tombaram
para virem, de novo, as flores...
Quantos invernos passaram...
quantos frios enregelaram
os corpos, com seus rigores
Quantos rebanhos pastaram
pelas campinas e prados...
Quantos ventos que sopraram,
quantas flautas que tocaram
os pastores tangendo os gados...
Quanto baile... quanta festa...
divertidos arraiais?
Podem chamar-te modesta...
Para mim... não há como esta...
Terra dos meus ancestrais!....
Quantas belas romarias
aonde se enamoraram
quantos Josés e Marias?
E quantas as nostalgias
desses tempos que passaram...
Pára... pára, coração...
ou, então... chora à vontade.
Mas... basta de invocação
desses tempos que lá vão...
Que me matas de saudade!
Matos Serra in, Alentejo, as Terras e as Gentes.
passaram p'las tuas pontes...
e quantas mágoas... e mágoas...
pelos teus montes e fráguas...
Por quantas fráguas e montes!
Quantos trabalhos e dias
e quantas leiras aradas...
Quantas dores e alegrias...
quantas lutas e ousadias...
Quantas frias madrugadas!
Quantos os contos contados
em descuidados serões...
Óh! nos meus tempos passados...
quantos toques de finados...
Doridas recordações!
Quanta gente acompanhei
por quantas ruas e praças...
Quantos? são tantos... nem sei,
nos deixaram e chorei...
com quem antes troquei graças!
Quantos verões e primaveras
que se foram e tornaram
em chegadas de outras eras...
Quantos anseios e quimeras
em outonos que findaram!
Quantos bardos te cantaram...
quantos mais te hão-de cantar...
Quantos versos nos deixaram
poetas que conjugaram
as formas do verbo amar!...
Meu Alentejo de amores,
de afetos e amizades...
de graças, risos e flores...
de mágoas, penas e dores
e tantas, tantas... saudades!
Quantas folhas que tombaram
para virem, de novo, as flores...
Quantos invernos passaram...
quantos frios enregelaram
os corpos, com seus rigores
Quantos rebanhos pastaram
pelas campinas e prados...
Quantos ventos que sopraram,
quantas flautas que tocaram
os pastores tangendo os gados...
Quanto baile... quanta festa...
divertidos arraiais?
Podem chamar-te modesta...
Para mim... não há como esta...
Terra dos meus ancestrais!....
Quantas belas romarias
aonde se enamoraram
quantos Josés e Marias?
E quantas as nostalgias
desses tempos que passaram...
Pára... pára, coração...
ou, então... chora à vontade.
Mas... basta de invocação
desses tempos que lá vão...
Que me matas de saudade!
Matos Serra in, Alentejo, as Terras e as Gentes.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Mote de Rosa Pires
MOTE
És
vida, poema e cor
Que
sais da terra fresquinha,
Espelho,
pureza, esplendor,
Fonte
da vila, rainha.
Ao
sair para Vaiamonte,
lá
em baixo, junto à ponte,
paro
e ouço em meu redor
um
eco que vem do monte
e
diz, à velhinha fonte,
és
vida, poema e cor.
Imita
uma voz magoada,
como
de moura encantada
que,
em cada dia, à tardinha,
diz
à fonte emocionada:
Tu,
és, vida renovada,
que
sais da terra fresquinha.
Eu,
ao ouvir essa voz,
lembro
meus pais e avós
que
sempre iam ao sol-pôr
e,
levavam-nos – a nós…
p’ra
ver, com eles, a sós,
espelho,
pureza, esplendor.
Quando,
eu, lá ia, sozinho…
levava
o meu pucarinho
pintado,
com a florinha,
que
eu enchia de mansinho
e
murmurava baixinho
fonte
da vila, rainha.
Matos
Serra
MOTE
És vida, poema e cor,
Que sais da terra fresquinha,
Espelho, pureza, esplendor,
Fonte da vila, rainha.
Das belezas desta vila
antiga, simples, modesta…
repositório que nos resta
da sua alma tranquila.
Tens o alo redentor
da vizinhança dos montes,
és a rainha das fontes,
és vida, poema e cor.
Um manancial de energia,
que as gentes vinham buscar
para usarem no seu lar,
p’ró vigor do dia a dia.
Em tempos, quando eu cá vinha,
voltava forte na ida,
porque, tu, és força e vida
que sais da terra fresquinha.
Tu suavizas as almas
e lavas penas e mágoas,
jorra paz das tuas águas
que cantam nas tardes calmas.
O teu som inspirador,
gemendo na fresca aragem,
é, no quadro da paisagem,
espelho, pureza, esplendor.
Foste-me porto de abrigo
onde mitiguei agruras,
pelas tuas águas puras
vinha sempre ter contigo.
E, cada vez que cá vinha,
averbava um bom momento…
Foste-me força e alento…
Fonte da Vila, rainha
!
Matos Serra
RECORDAÇÕES
Existe
junto à vila de Monforte, minha terra, uma fonte velhinha como os séculos, que
nos tempos passados fornecia água à população e a que os antigos atribuíam
propriedades curativas.
A
velhinha fonte está envolvida por um ambiente natural, bucólico e muito
acolhedor e por ter sido, durante séculos, um manancial para os habitantes,
perde-se na noite dos tempos a sua designação carregada de um profundo
sentimento – “FONTE DA VILA”.
Para
completar o quadro afetivo, o poema que segue radica no mote de uma poetisa
minha conterrânea, “ROSA PIRES, que, como eu, se deixou inspirar por esse
quadro bucólico que em tempos foi para mim lugar de constantes peregrinações
MOTE
És vida, poema e cor,
Que sais da terra fresquinha,
Espelho, pureza, esplendor,
Fonte da vila, rainha.
Aqui, onde, em tempos idos,
vinha beber tuas águas,
em silêncios recolhidos
lavava penas e mágoas…
Entre as urzes e as fráguas
eu sentia em meu redor
o silêncio redentor
das aragens destes montes…
Minha rainha das fontes…
És vida, poema e cor!...
Fonte, que és, da nostalgia
dos tempos da minha infância,
da água, enquanto caía,
ouço, ainda, a ressonância…
Sinto a suave fragrância
da natureza vizinha
e ouço de cada avezinha
um canto de terna calma…
Ternura doce p’rá alma
Que sais da terra fresquinha.
Recordo, da juventude,
o meu tempo das paixões,
em que, a água, era a virtude
que inundava os corações.
Em quantas ocasiões
eu fui colher uma flor…
para que a jura de amor
fosse solene e sentida…
e tu, fonte… eras ermida,
Espelho, pureza, esplendor.
Meu quadro vivo, sem preço…
ex-libris da frescura,
longe de ti não me esqueço…
mas, aqui… ardo em ternura.
Ao beber a água pura
a doçura me acarinha…
logo de mim se avizinha
uma onda de emoções…
Éden de recordações…
Fonte da vila, rainha.
Matos Serra in, Alentejo, suas belezas, suas
terras e suas gentes.
domingo, 24 de novembro de 2013
CONTO DA D. FARTURA E DO PADRE TADEU
APRESENTAÇÃO AOS JOGOS FLORAIS DE OUTONO, EM MONFORTE - 23-11-2013
MODALIDADE: TRATAMENTO DO ADÁGIO POPULAR - "Faz bem, sem olhar a quem
EXPLICAÇÃO SOBRE O PROCESSO CRIATIVO DO POEMA
Para escrever o meu poema, dado o aspeto sui-géneres da temática, tentei faze-lo com alguma graça e não menos sentido crítico, em termos de poesia "social e política". Lembrei-me, então, das grandes fomes nos tempos do fascismo e eu, aí a meio dos anos quarenta, do século passado, com seis/sete anos de idade, já me aperceber que andavam de mãos dadas a grande pobreza e a atitude providencialista da vida, embora, talvez... nessa altura, não as definisse tão bem nem com o mesmo sentido crítico. Mas me lembro, muito bem, que os ricos que viviam à grande cá na terra, ainda tentavam comprar um bom lugar no céu à custa da miséria dos pobres.
O padre da minha terra tinha, sempre, em seu poder, uma dilatada lista de pobres para, quando falecia algum ricaço, os familiares mandarem rezar a missa, com casa cheia, ao preço da uva mijona... digamos que havia sempre efetivo suficiente para a missa ter muitos fieis e figurantes capazes de fazer ouvir as suas preces, por via eclesial, até ao reino de Deus. Havia sempre pobres que chegassem... digamos que a oferta de pobres era sempre superior á procura. Tendo em conta essa realidade e sua analogia com a situação atual... eu, organizei o meu poema recorrendo ao género dramático e ao estilo vicentino e saiu a peça que segue. Pelo facto acabei por ficar muito grato á memória de Mestre Gil.
TÍTULO: CONTO DA D. FARTURA E DO PADRE TADEU
NARRADOR: Andava a D. Fartura
a tentar ganhar o céu...
vai daí, foi à procura
do senhor Padre Tadeu.
D. FARTURA: Ouça cá, ó Senhor Cura...
eu quero fazer o bem.
PADRE TADEU: Fazer o bem assegura
um bom lugar no Além...
D. FARTURA: Então devo começar
já no domingo que vem
a distribuir esmola aos pobres...
PADRE TADEU: E, eu, irei anunciar,
sem que me falte ninguém,
exceto ricos e nobres
que, aqui, não devem contar,
venha pronta para rezar
e traga a bolsa dos cobres.
E não terá que gastar
muita da sua riqueza...
que, mesmo sem se alargar,
os pobres não vão faltar
que o que não falta é pobreza...
Por isso, com uns tostões
por cabeça, o povo inteiro
vem creditar orações...
Não gasta muito dinheiro...
que, eu, ofereço-lhe os sermões.
D. FARTURA: Eu quero, enquanto cá ande,
a vida eterna ganhar
com bom lugar no Além...
Cá, em baixo, vivo à grande,
e quero fazer o bem,
para isso... não olho a quem.
PADRE TADEU: Vamos cá a ver então
qual a melhor decisão
que garanta a cem por cento
uma boa solução...
D. FARTURA: Ponha o povo em oração
que eu garanto o orçamento...
e, não quero ser injusta,
ganhar o céu à sua custa
e com pouco investimento...
Tem o meu consentimento!
~PADRE TADEU: Eu faço seja o que for
p'ra tratar dos seus assuntos...
Entregue-se ao criador,
não vá desta p'ra melhor
sem me arranjar dois presuntos,
que, eu... garanto-lhe à prior,
um lugar acolhedor
junta aos sagrados defuntos.
Matos Serra,in Poesia Social e Política
(Este poema foi apresentado, nos Jogos Florais de outono, em Monforte, sob o pseudónimo - Inácio)
MODALIDADE: TRATAMENTO DO ADÁGIO POPULAR - "Faz bem, sem olhar a quem
EXPLICAÇÃO SOBRE O PROCESSO CRIATIVO DO POEMA
Para escrever o meu poema, dado o aspeto sui-géneres da temática, tentei faze-lo com alguma graça e não menos sentido crítico, em termos de poesia "social e política". Lembrei-me, então, das grandes fomes nos tempos do fascismo e eu, aí a meio dos anos quarenta, do século passado, com seis/sete anos de idade, já me aperceber que andavam de mãos dadas a grande pobreza e a atitude providencialista da vida, embora, talvez... nessa altura, não as definisse tão bem nem com o mesmo sentido crítico. Mas me lembro, muito bem, que os ricos que viviam à grande cá na terra, ainda tentavam comprar um bom lugar no céu à custa da miséria dos pobres.
O padre da minha terra tinha, sempre, em seu poder, uma dilatada lista de pobres para, quando falecia algum ricaço, os familiares mandarem rezar a missa, com casa cheia, ao preço da uva mijona... digamos que havia sempre efetivo suficiente para a missa ter muitos fieis e figurantes capazes de fazer ouvir as suas preces, por via eclesial, até ao reino de Deus. Havia sempre pobres que chegassem... digamos que a oferta de pobres era sempre superior á procura. Tendo em conta essa realidade e sua analogia com a situação atual... eu, organizei o meu poema recorrendo ao género dramático e ao estilo vicentino e saiu a peça que segue. Pelo facto acabei por ficar muito grato á memória de Mestre Gil.
TÍTULO: CONTO DA D. FARTURA E DO PADRE TADEU
NARRADOR: Andava a D. Fartura
a tentar ganhar o céu...
vai daí, foi à procura
do senhor Padre Tadeu.
D. FARTURA: Ouça cá, ó Senhor Cura...
eu quero fazer o bem.
PADRE TADEU: Fazer o bem assegura
um bom lugar no Além...
D. FARTURA: Então devo começar
já no domingo que vem
a distribuir esmola aos pobres...
PADRE TADEU: E, eu, irei anunciar,
sem que me falte ninguém,
exceto ricos e nobres
que, aqui, não devem contar,
venha pronta para rezar
e traga a bolsa dos cobres.
E não terá que gastar
muita da sua riqueza...
que, mesmo sem se alargar,
os pobres não vão faltar
que o que não falta é pobreza...
Por isso, com uns tostões
por cabeça, o povo inteiro
vem creditar orações...
Não gasta muito dinheiro...
que, eu, ofereço-lhe os sermões.
D. FARTURA: Eu quero, enquanto cá ande,
a vida eterna ganhar
com bom lugar no Além...
Cá, em baixo, vivo à grande,
e quero fazer o bem,
para isso... não olho a quem.
PADRE TADEU: Vamos cá a ver então
qual a melhor decisão
que garanta a cem por cento
uma boa solução...
D. FARTURA: Ponha o povo em oração
que eu garanto o orçamento...
e, não quero ser injusta,
ganhar o céu à sua custa
e com pouco investimento...
Tem o meu consentimento!
~PADRE TADEU: Eu faço seja o que for
p'ra tratar dos seus assuntos...
Entregue-se ao criador,
não vá desta p'ra melhor
sem me arranjar dois presuntos,
que, eu... garanto-lhe à prior,
um lugar acolhedor
junta aos sagrados defuntos.
Matos Serra,in Poesia Social e Política
(Este poema foi apresentado, nos Jogos Florais de outono, em Monforte, sob o pseudónimo - Inácio)
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
"MUITA PALHA... E POUCO GRÂO
O TRATAMENTO DESTE ADÁGIO EM POESIA IRÓNICA E SATÍRICA TEM A INTENÇÃO DE, BRINCANDO COM A LINGUAGEM, CONTRIBUIR PARA UMA CERTA CRÍTICA DOS COMPORTAMENTOS. NÃO É PORQUE EU SEJA UM MORALISTA...QUERO APENAS EVIDENCIAR A MORAL SUBJACENTE AO ADÁGIO EM QUESTÃO E DIVULGAR UM POUCO A RIQUEZA DA SABEDORIA POPULAR QUE LHE VALORIZA O CONTEÚDO.
" MUITA PALHA, E POUCO GRÃO"
É caso para perguntar,
onde é que fomos buscar
tão saboroso pregão...
que, por ser curto, é então,
designado de rifão?
Envolto em sabedoria
e em saborosa ironia
carregada de sugestão.
Vem do simbolismo antigo
que se coloca ao abrigo
de uma linguagem concreta
para atingir a sua meta...
e, faz parte da seleta
popular, mas não pateta...
que o povo trouxe consigo.
Coberto com um discurso
feito de simplicidade,
mas, de grande acuidade...
Fez, então, o seu percurso,
como irónico recurso,
contra toda a falsidade
e sempre a bem da verdade.
Que, no juízo diário,
sobre a humana fraqueza,
às vezes, é necessário
pela sua subtileza,
para criticar, com franqueza...
o discurso do precário
a querer fingir de grandeza...
Quando a promessa é promessa
que não passa de conversa;
Quando a conversa é fiada...
a razão está corrompida,
se fala sem dizer nada...
ou, quando nas eleições...
são bonitos os sermões
mas a promessa é esquecida.
E, enfim... em casos mais
e que são outros que tais...
E, noutras ocasiões
em que se fala demais
e se ultrapassa a medida.
Sempre, em cada situação
em que é clara a falsidade...
se usa, com propriedade
o nosso velho rifão.
Se confunde quantidade
com razão e qualidade
e se instala a confusão...
Ou parvo a fingir esperteza...
Vê-se, logo, com clareza...
"MUITA PALHA, E POUCO GRÃO"
Matos Serra
In, Tratamento dos Adágios Populares.
(Este poema é um prémio literário)
" MUITA PALHA, E POUCO GRÃO"
É caso para perguntar,
onde é que fomos buscar
tão saboroso pregão...
que, por ser curto, é então,
designado de rifão?
Envolto em sabedoria
e em saborosa ironia
carregada de sugestão.
Vem do simbolismo antigo
que se coloca ao abrigo
de uma linguagem concreta
para atingir a sua meta...
e, faz parte da seleta
popular, mas não pateta...
que o povo trouxe consigo.
Coberto com um discurso
feito de simplicidade,
mas, de grande acuidade...
Fez, então, o seu percurso,
como irónico recurso,
contra toda a falsidade
e sempre a bem da verdade.
Que, no juízo diário,
sobre a humana fraqueza,
às vezes, é necessário
pela sua subtileza,
para criticar, com franqueza...
o discurso do precário
a querer fingir de grandeza...
Quando a promessa é promessa
que não passa de conversa;
Quando a conversa é fiada...
a razão está corrompida,
se fala sem dizer nada...
ou, quando nas eleições...
são bonitos os sermões
mas a promessa é esquecida.
E, enfim... em casos mais
e que são outros que tais...
E, noutras ocasiões
em que se fala demais
e se ultrapassa a medida.
Sempre, em cada situação
em que é clara a falsidade...
se usa, com propriedade
o nosso velho rifão.
Se confunde quantidade
com razão e qualidade
e se instala a confusão...
Ou parvo a fingir esperteza...
Vê-se, logo, com clareza...
"MUITA PALHA, E POUCO GRÃO"
Matos Serra
In, Tratamento dos Adágios Populares.
(Este poema é um prémio literário)
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