O TRATAMENTO DESTE ADÁGIO EM POESIA IRÓNICA E SATÍRICA TEM A INTENÇÃO DE, BRINCANDO COM A LINGUAGEM, CONTRIBUIR PARA UMA CERTA CRÍTICA DOS COMPORTAMENTOS. NÃO É PORQUE EU SEJA UM MORALISTA...QUERO APENAS EVIDENCIAR A MORAL SUBJACENTE AO ADÁGIO EM QUESTÃO E DIVULGAR UM POUCO A RIQUEZA DA SABEDORIA POPULAR QUE LHE VALORIZA O CONTEÚDO.
" MUITA PALHA, E POUCO GRÃO"
É caso para perguntar,
onde é que fomos buscar
tão saboroso pregão...
que, por ser curto, é então,
designado de rifão?
Envolto em sabedoria
e em saborosa ironia
carregada de sugestão.
Vem do simbolismo antigo
que se coloca ao abrigo
de uma linguagem concreta
para atingir a sua meta...
e, faz parte da seleta
popular, mas não pateta...
que o povo trouxe consigo.
Coberto com um discurso
feito de simplicidade,
mas, de grande acuidade...
Fez, então, o seu percurso,
como irónico recurso,
contra toda a falsidade
e sempre a bem da verdade.
Que, no juízo diário,
sobre a humana fraqueza,
às vezes, é necessário
pela sua subtileza,
para criticar, com franqueza...
o discurso do precário
a querer fingir de grandeza...
Quando a promessa é promessa
que não passa de conversa;
Quando a conversa é fiada...
a razão está corrompida,
se fala sem dizer nada...
ou, quando nas eleições...
são bonitos os sermões
mas a promessa é esquecida.
E, enfim... em casos mais
e que são outros que tais...
E, noutras ocasiões
em que se fala demais
e se ultrapassa a medida.
Sempre, em cada situação
em que é clara a falsidade...
se usa, com propriedade
o nosso velho rifão.
Se confunde quantidade
com razão e qualidade
e se instala a confusão...
Ou parvo a fingir esperteza...
Vê-se, logo, com clareza...
"MUITA PALHA, E POUCO GRÃO"
Matos Serra
In, Tratamento dos Adágios Populares.
(Este poema é um prémio literário)
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
domingo, 20 de outubro de 2013
POEMAS DO TEMPO DA GUERRA COLONIAL
FOLHINHA SOLTA
"AMOR EM TEMPO DE GUERRA
Poema enviado de Luanda em Junho de 1961, depois da segunda missão de combate, ao termos regressado de campanha para uns dias de descontração.
Folhinha solta caindo,
vista através da janela,
aquele rosto tão lindo...
que eu estou vendo é o dela.
É um rosto imaginado,
quantas ternuras lhe devo...
quanto amor, quanto cuidado
que a recordar nem me atrevo...
Que me dói sempre a lembrança
de tanto amor por haver...
Virão tempos de bonança
de não mais amor perder.
Até lá vamos guardar,
cada qual o mais profundo,
para um ao outro dar...
o maior amor do mundo!!!
Matos Serra, in AMOR EM TEMPO DE GUERRA
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
POEMAS DO TEMPO DE GUERRA
NUM POSTAL ENVIADO DENTRO DE UMA CARTA A PARTIR DE ANGOLA - JULHO DE 1961 - ESCRITO AO CORRER DA PENA COM MUITA TERNURA E DURA SAUDADE.
AMOR EM TEMPO DE GUERRA
Meu amor. - Recebe um beijo
que te devo desde há tanto...
Ò... há quanto te não vejo...
que de não chorar me espanto
e me espanto de desejo!
ÒH... Esse abraço devido
que te darei de regresso...
e o meu gesto contido
cada vez que me despeço
para me não veres abatido...
ÒH... Quanto vale o amor
que já temos no haver...
Será feito quando for...
mas... não o vamos perder
porque é bom de enlouquecer!
O amor que não fazemos
e a grande dor sentida
da nossa separação...
Vamos ver se o não perdemos...
e, como contrapartida,
amarmos até mais não.
Matos Serra, in POEMAS DO TEMPO DE GUERRA
AMOR EM TEMPO DE GUERRA
Meu amor. - Recebe um beijo
que te devo desde há tanto...
Ò... há quanto te não vejo...
que de não chorar me espanto
e me espanto de desejo!
ÒH... Esse abraço devido
que te darei de regresso...
e o meu gesto contido
cada vez que me despeço
para me não veres abatido...
ÒH... Quanto vale o amor
que já temos no haver...
Será feito quando for...
mas... não o vamos perder
porque é bom de enlouquecer!
O amor que não fazemos
e a grande dor sentida
da nossa separação...
Vamos ver se o não perdemos...
e, como contrapartida,
amarmos até mais não.
Matos Serra, in POEMAS DO TEMPO DE GUERRA
sábado, 12 de outubro de 2013
POEMAS DO TEMPO DE GUERRA - O AMOR EM TEMPO DE GUERRA
POEMA SIMPLES - EXPRESSO NO FINAL DE UM AEROGRAMA
ENVIADO A PARTIR DE ANGOLA - AGOSTO DE 1968
NUMA CARTA DE AMOR
Não me chega o pensamento
para tanto em ti pensar,
irei 'screver com mais tempo
quando o tempo me chegar.
Transborda meu pensamento,
como do vulcão a lava,
lembranças daquele tempo
em que contigo aí estava.
Não sei se é mais dura a vida
do que grande é este amor...
porque enquanto a vida for
este amor é sem medida.
E sem medida é também
esta grande saudade
que eu sinto, por ti, meu bem!
Ó amor... quanto me invade!
Por isso... meu grande amor,
eu te envio o maior beijo...
Beijo tão grande, tão grande...
e muito, muito desejo
de que este tempo desande
para aquele grande abraço...
que... não me peças que o mande,
porque não cabe no espaço!!!!!.....
Matos Serra, in POEMAS DO TEMPO DE GUERRA
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
HOMENAGEM AOS BOMBEIROS DE PORTUGAL
ACRÓSTICO DE RECONHECIMENTO E GRATIDÃO
B riosos lutadores contra o inferno
O nde as chamas devoram a paisagem,
M ilitam com denodo e com coragem,
B atem-se a debelar um perigo interno
E ntrando decididos no averno
I indómito, no pico da estiagem...
R ecobram as riquezas da voragem
O nde o horror é cíclico e eterno.
S ubmersos num terror de fogo e chamas
D esprezam o conforto em fofas camas
E nquanto outros dormitam nos seus leitos...
P rescrevem para si a ousadia...
O usar é seu condão do dia a dia
R esolutos, à luta ... sempre, afeitos.
T endo por lema a luta e a entrega,
U nidos, sempre alerta no seu posto,
G arantem o que é justo e não se nega...
A vançam como herói que na refrega
L evanta, erguido, o peito... e, dá o rosto.
Matos Serra
B riosos lutadores contra o inferno
O nde as chamas devoram a paisagem,
M ilitam com denodo e com coragem,
B atem-se a debelar um perigo interno
E ntrando decididos no averno
I indómito, no pico da estiagem...
R ecobram as riquezas da voragem
O nde o horror é cíclico e eterno.
S ubmersos num terror de fogo e chamas
D esprezam o conforto em fofas camas
E nquanto outros dormitam nos seus leitos...
P rescrevem para si a ousadia...
O usar é seu condão do dia a dia
R esolutos, à luta ... sempre, afeitos.
T endo por lema a luta e a entrega,
U nidos, sempre alerta no seu posto,
G arantem o que é justo e não se nega...
A vançam como herói que na refrega
L evanta, erguido, o peito... e, dá o rosto.
Matos Serra
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
HOMENAGEM A TOMÁS ALCAIDE
A Tomás Alcaide, grande cantor lírico, natural de Estremoz, uma das mais belas vozes portuguesas de sempre, que eu costumo apelidar de "UMA VOZ DA PLANÍCIE" em louvor das gentes alentejanas.
TÍTULO DO POEMA: A RIQUEZA EM TUA VOZ
Andaste plagiando os rouxinóis
em ledas madrugadas e em tardes de arrebois...
E, roubaste ao vento uma harpa de encantar
para competires com Zéfiro, ciciante sobre o mar.
Andaste imitando o murmúrio da cachoeira
para espalhares alvoradas de som p'la Terra Inteira...
Andaste reproduzindo o soprar da terna brisa
e copiando o meigo Bóreas que desliza...
Retiraste à natureza os dons da melodia
para dares o tom e a cor à poesia...
E, colocaste tudo isso em tua voz
para conseguires desvanecer a todos nós.
E ganhou tanto... a cultura em Portugal,
com teu talento e tua arte genial...
À tua arte se rendeu todo o mundo, e, na cidade,
tudo o que foi teu hoje é profundo e traz saudade...
E´ foste Alcaide em nome e Alcaide em arte,
para levares nosso lirismo a toda a parte.
Matos Serra in, Alentejo, Suas Terras e Suas Gentes.
TÍTULO DO POEMA: A RIQUEZA EM TUA VOZ
Andaste plagiando os rouxinóis
em ledas madrugadas e em tardes de arrebois...
E, roubaste ao vento uma harpa de encantar
para competires com Zéfiro, ciciante sobre o mar.
Andaste imitando o murmúrio da cachoeira
para espalhares alvoradas de som p'la Terra Inteira...
Andaste reproduzindo o soprar da terna brisa
e copiando o meigo Bóreas que desliza...
Retiraste à natureza os dons da melodia
para dares o tom e a cor à poesia...
E, colocaste tudo isso em tua voz
para conseguires desvanecer a todos nós.
E ganhou tanto... a cultura em Portugal,
com teu talento e tua arte genial...
À tua arte se rendeu todo o mundo, e, na cidade,
tudo o que foi teu hoje é profundo e traz saudade...
E´ foste Alcaide em nome e Alcaide em arte,
para levares nosso lirismo a toda a parte.
Matos Serra in, Alentejo, Suas Terras e Suas Gentes.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
NÃO DEIXEMOS PERDER A LIBERDADE
NÃO QUEIRAMOS SER POVO ESCRAVO E ESTULTO
SONETO DA INDIGNAÇÃO II
Num mar que invada as ruas da cidade
de gente, e que provoque um tal tumulto
que devaste a afronta e o insulto
e nos traga de volta a dignidade!
Não haverá desculpa nem indulto...
se deixarmos perder a liberdade
para voltarmos a ser a sociedade
de um povo... que nos querem, escravo e estulto.
Que, em nome da Pátria e da razão,
se alevantem as vozes num tal grito!...
a despertar a alma da nação...
porque a hora é de luta e é de ação!....
O que pode ser crime ou ser delito
é calarmos a nossa indignação!
SÓ NÃO SE INDIGNA PERANTE A PÁTRIA
MALTRATADA... QUEM EM VEZ DE SANGUE
PORTUGUÊS TIVER NAS VEIAS ÁGUA CHOCA.
Matos Serra
SONETO DA INDIGNAÇÃO II
Num mar que invada as ruas da cidade
de gente, e que provoque um tal tumulto
que devaste a afronta e o insulto
e nos traga de volta a dignidade!
Não haverá desculpa nem indulto...
se deixarmos perder a liberdade
para voltarmos a ser a sociedade
de um povo... que nos querem, escravo e estulto.
Que, em nome da Pátria e da razão,
se alevantem as vozes num tal grito!...
a despertar a alma da nação...
porque a hora é de luta e é de ação!....
O que pode ser crime ou ser delito
é calarmos a nossa indignação!
SÓ NÃO SE INDIGNA PERANTE A PÁTRIA
MALTRATADA... QUEM EM VEZ DE SANGUE
PORTUGUÊS TIVER NAS VEIAS ÁGUA CHOCA.
Matos Serra
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