segunda-feira, 2 de novembro de 2015

TEMA:CRÍTICA AOS ATUAIS CONCEITOS DE BELEZA (BRINCANDO) TÍTULO: PROMETEU AGRILHOADO Não se vestia aos quadrados porque a tal ilusão d'ótica que lhe dilatava os lados violava a arte gótica. Como era um pouco anafado vestia fato de riscas verticais, e bem talhado, ao gosto das odaliscas. E nunca usava chapéu, mormente o das abas largas... a cabeça andava ao léu p'ra não par'cer um lafargas. Sapato de sola alta, nunca o sapato rasteiro... só calçava na Modalfa, nunca ia ao sapateiro. Regras fixas no vestir, não fosse parecer trambolho... óculos escuros p'ra confundir porque era, um pouco, zarolho. Prometeu agrilhoado, ou bem mais que o Prometeu... que usava o cinto apertado p'ra disfarçar o pneu. P'ra manter o visual não vestia nos chineses como outro qualquer mortal... só nos Cortes Ingleses... Queria casar e, então... apostou muito na estética. resolveu a situação... casou com uma anorética. Já lá têm a seu cargo, por agora, dois pimpolhos... um é gordo, o outro é magro, ambos saíram zarolhos. Na estatura, um sai ao pai... afirmo, aqui, no poema, o outro, é á mãe que sai... magrito, mas, sem problema. Matos Serra.

domingo, 16 de agosto de 2015

POR TERRAS DE MONFORTE

            MOTE
Monforte é vila tão bela!...
Quem não sentiu? Quem não disse?
Mais que vila... É aguarela
que tem por fundo a planície.

Se viajo pela estrada,
que a demanda, e lanço a vista,
me parece projetada
no seu monte, cuja crista
é uma joia marchetada
de brancura imaculada...
travo, paro... e, fico a vê-la
e, me parece uma estrela
que irradia luz e vida.
Alentejo é terra querida...
Monforte é, vila tão bela.

E, quando sigo viagem,
nas nuances do trajeto,
se, às vezes, perco a imagem
ganho, 'inda mais, em afeto...
então, apelo à paisagem
que me traga a doce aragem
que desliza à superfície,
como se fosse a meiguice
das mãos de um deus benfazejo...
Ternuras do Alentejo...
Quem não sentiu? Quem não disse?

Que viajar é preciso
disse, algures, um bom poeta...
andar neste paraíso
é a viagem dileta...
Alentejo é um sorriso
onde eu sinto que deslizo
na textura de uma tela...
tão divina quão singela...
Terra tão bela... que, ainda,
é mais bela que a mais linda...
mais que vila, é aguarela.

E vou visitando os montes
e vendo pastar os gados...
as cachoeiras e fontes,
o terno verde dos prados...
Cruzo estradas,  passo as pontes...
Monforte! Não me recontes
lembranças da meninice!
...Posso entrar na pieguice
e sofrer meu coração...
por esta terna mansão
que tem por fundo a planície.

   Matos Serra

In, o Alentejo, as Terras e as Gentes.

domingo, 22 de junho de 2014

SAUDAÇÃO DE VERÃO

            SONETO
Se Juno segue, já, a mais de meio...
seu caminho de luz no céu sereno...
chega o calor de Apolo, ainda ameno,
que faz, de cada dia, um bom recreio.

O Júlio entra alegre e não alheio
aos alacres odores, soltos, do feno...
aproxima-se Apolo do seu pleno
e já traz o calor algum receio.

E Cronos traz Augusto, e, vem consigo
o brasido de um mundo em combustão...
cada caule, a secar, é um pavio...

De dia... cada sombra é um abrigo
à espera do consolo de um serão
na calidez, noturna do estio.

Matos Serra in, Belezas do Sul.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

ALENTEJO, SAUDADES, MÁGOAS E AFETOS

Quantas águas e outras águas
passaram p'las tuas pontes...
e quantas mágoas... e mágoas...
pelos teus montes e fráguas...
Por quantas fráguas e montes!

Quantos trabalhos e dias
e quantas leiras aradas...
Quantas dores e alegrias...
quantas lutas e ousadias...
Quantas frias madrugadas!

Quantos os contos contados
em descuidados serões...
Óh! nos meus tempos passados...
quantos toques de finados...
Doridas recordações!

Quanta gente acompanhei
por quantas ruas e praças...
Quantos? são tantos... nem sei,
nos deixaram e chorei...
com quem antes troquei graças!

Quantos verões e primaveras
que se foram e tornaram
em chegadas de outras eras...
Quantos anseios e quimeras
em outonos que findaram!

Quantos bardos te cantaram...
quantos mais te hão-de cantar...
Quantos versos nos deixaram
poetas que conjugaram
as formas do verbo amar!...

Meu Alentejo de amores,
de afetos e amizades...
de graças, risos e flores...
de mágoas, penas e dores
e tantas, tantas... saudades!

Quantas folhas que tombaram
para virem, de novo, as flores...
Quantos invernos passaram...
quantos frios enregelaram
os corpos, com seus rigores

Quantos rebanhos pastaram
pelas campinas e prados...
Quantos ventos que sopraram,
quantas flautas que tocaram
os pastores tangendo os gados...

Quanto baile... quanta festa...
divertidos arraiais?
Podem chamar-te modesta...
Para mim... não há como esta...
Terra dos meus ancestrais!....

Quantas belas romarias
aonde se enamoraram
quantos Josés e Marias?
E quantas as nostalgias
desses tempos que passaram...

Pára... pára, coração...
ou, então... chora à vontade.
Mas... basta de invocação
desses tempos que lá vão...
Que me matas de saudade!

 Matos Serra in, Alentejo, as Terras e as Gentes.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013


 
ENCANTAMENTO  E… SAUDADE.
          Mote de Rosa Pires          
MOTE

És vida, poema e cor

Que sais da terra fresquinha,

Espelho, pureza, esplendor,

Fonte da vila, rainha.

 

Ao sair para Vaiamonte,

lá em baixo, junto à ponte,

paro e ouço em meu redor

um eco que vem do monte

e diz, à velhinha fonte,

és vida, poema e cor.

 

 

Imita uma voz magoada,

como de moura encantada

que, em cada dia, à tardinha,

diz à fonte emocionada:

Tu, és, vida renovada,

que sais da terra fresquinha.

 

 

Eu, ao ouvir essa voz,

lembro meus pais e avós

que sempre iam ao sol-pôr

e, levavam-nos – a nós…

p’ra ver, com eles, a sós,

espelho, pureza, esplendor.

 

 

Quando, eu, lá ia, sozinho…

levava o meu pucarinho

pintado, com a florinha,

que eu enchia de mansinho

e murmurava baixinho     

fonte da vila, rainha.

 

Matos Serra

 

 

                          
              RAINHA DAS FONTES
 (Mote de Rosa Pires – Poetisa de Monforte)

MOTE

És vida, poema e cor,

Que sais da terra fresquinha,

Espelho, pureza, esplendor,

Fonte da vila, rainha.

 

Das belezas desta vila

antiga, simples, modesta…

repositório que nos resta

da sua alma tranquila.

Tens o alo redentor

da vizinhança dos montes,

és a rainha das fontes,

és vida, poema e cor.

 

Um manancial de energia,

que as gentes vinham buscar

para usarem no seu lar,

p’ró vigor do dia a dia.

Em tempos, quando eu cá vinha,

voltava forte na ida,

porque, tu, és força e vida

que sais da terra fresquinha.

 

Tu suavizas as almas

e lavas penas e mágoas,

jorra paz das tuas águas

que cantam nas tardes calmas.

O teu som inspirador,

gemendo na fresca aragem,

é, no quadro da paisagem,

espelho, pureza, esplendor.

 

Foste-me porto de abrigo

onde mitiguei agruras,

pelas tuas águas puras

vinha sempre ter contigo.

E, cada vez que cá vinha,

averbava um bom momento…

Foste-me força e alento…

Fonte da Vila, rainha  !

                                                    Matos Serra 

    RECORDAÇÕES

Existe junto à vila de Monforte, minha terra, uma fonte velhinha como os séculos, que nos tempos passados fornecia água à população e a que os antigos atribuíam propriedades curativas.

A velhinha fonte está envolvida por um ambiente natural, bucólico e muito acolhedor e por ter sido, durante séculos, um manancial para os habitantes, perde-se na noite dos tempos a sua designação carregada de um profundo sentimento – “FONTE DA VILA”.

Para completar o quadro afetivo, o poema que segue radica no mote de uma poetisa minha conterrânea, “ROSA PIRES, que, como eu, se deixou inspirar por esse quadro bucólico que em tempos foi para mim lugar de constantes peregrinações

 

MOTE

 

És vida, poema e cor,

Que sais da terra fresquinha,

Espelho, pureza, esplendor,

Fonte da vila, rainha.

 

Aqui, onde, em tempos idos,

vinha beber tuas águas,

em silêncios recolhidos

lavava penas e mágoas…

Entre as urzes e as fráguas

eu sentia em meu redor

o silêncio redentor

das aragens destes montes…

Minha rainha das fontes…

És vida, poema e cor!...

 

Fonte, que és, da nostalgia

dos tempos da minha infância,

da água, enquanto caía,

ouço, ainda, a ressonância…

Sinto a suave fragrância

da natureza vizinha

e ouço de cada avezinha

um canto de terna calma…

Ternura doce p’rá alma

Que sais da terra fresquinha.

 

Recordo, da juventude,

o meu tempo das paixões,

em que, a água, era a virtude

que inundava os corações.

Em quantas ocasiões

eu fui colher uma flor…

para que a jura de amor

fosse solene e sentida…

e tu, fonte… eras ermida,

Espelho, pureza, esplendor.

 

 

 

 

Meu quadro vivo, sem preço…

ex-libris da frescura,

longe de ti não me esqueço…

mas, aqui… ardo em ternura.

Ao beber a água pura

a doçura me acarinha…

logo de mim se avizinha

uma onda de emoções…

Éden de recordações…

Fonte da vila, rainha.

 

 

Matos Serra in, Alentejo, suas belezas, suas terras e suas gentes.      

 

domingo, 24 de novembro de 2013

CONTO DA D. FARTURA E DO PADRE TADEU

APRESENTAÇÃO AOS JOGOS FLORAIS DE OUTONO, EM MONFORTE - 23-11-2013
MODALIDADE: TRATAMENTO DO ADÁGIO POPULAR - "Faz bem, sem olhar a quem

EXPLICAÇÃO SOBRE O PROCESSO CRIATIVO DO POEMA
Para escrever o meu poema, dado o aspeto sui-géneres da temática, tentei faze-lo com alguma graça e não menos sentido crítico, em termos de poesia "social e política". Lembrei-me, então, das grandes fomes nos tempos do fascismo e eu, aí a meio dos anos quarenta, do século passado, com seis/sete anos de idade, já me aperceber que andavam de mãos dadas a grande pobreza e a atitude providencialista da vida, embora, talvez... nessa altura, não as definisse tão bem nem com o mesmo sentido crítico. Mas me lembro, muito bem, que os ricos que viviam à grande cá na terra, ainda tentavam comprar um bom lugar no céu à custa da miséria dos pobres.
O padre da minha terra tinha, sempre, em seu poder, uma dilatada lista de pobres para, quando falecia algum ricaço, os familiares mandarem rezar a missa, com casa cheia, ao preço da uva mijona... digamos que havia sempre efetivo suficiente para a missa ter muitos fieis e figurantes  capazes de fazer ouvir as suas preces, por via eclesial, até ao reino de Deus. Havia sempre pobres que chegassem... digamos que a oferta de pobres era sempre superior á procura. Tendo em conta essa realidade e sua analogia com a situação atual... eu, organizei o meu poema recorrendo ao género dramático e ao estilo vicentino e saiu a peça que segue. Pelo facto acabei por ficar muito grato á memória de Mestre Gil.

TÍTULO: CONTO DA D. FARTURA E DO PADRE TADEU

NARRADOR:      Andava a D. Fartura
                              a tentar ganhar o céu...
                              vai daí, foi à procura
                              do senhor Padre Tadeu.
D. FARTURA:     Ouça cá, ó Senhor Cura...
                              eu quero fazer o bem.
PADRE TADEU: Fazer o bem assegura
                              um bom lugar no Além...
D. FARTURA:     Então devo começar
                              já no domingo que vem
                              a distribuir esmola aos pobres...
PADRE TADEU:  E, eu, irei anunciar,
                              sem que me falte ninguém,
                              exceto ricos e nobres
                              que, aqui, não devem contar,
                              venha pronta para rezar
                               e traga a bolsa dos cobres.
                               E não terá que gastar
                               muita da sua riqueza...
                               que, mesmo sem se alargar,
                               os pobres não vão faltar
                               que o que não falta é pobreza...
                               Por isso, com uns tostões
                               por cabeça, o povo inteiro
                               vem creditar orações...
                               Não gasta muito dinheiro...
                               que, eu, ofereço-lhe os sermões.
D. FARTURA:      Eu quero, enquanto cá ande,
                               a vida eterna ganhar
                               com bom lugar no Além...
                               Cá, em baixo, vivo à grande,
                               e quero fazer o bem,
                               para isso... não olho a quem.
PADRE TADEU:  Vamos cá a ver então
                                qual a melhor decisão
                                que garanta a cem por cento
                                uma boa solução...
D. FARTURA:       Ponha o povo em oração
                                que eu garanto o orçamento...
                                e, não quero ser injusta,
                                ganhar o céu à sua custa
                                e com pouco investimento...
                                Tem o meu consentimento!
~PADRE TADEU:  Eu faço seja o que for
                                 p'ra tratar dos seus assuntos...
                                 Entregue-se ao criador,
                                 não vá desta p'ra melhor
                                 sem me arranjar dois presuntos,
                                 que, eu... garanto-lhe à prior,
                                 um lugar acolhedor
                                 junta aos sagrados defuntos.

                                 Matos Serra,in Poesia Social e Política
(Este poema foi apresentado, nos Jogos Florais de outono, em Monforte, sob o pseudónimo - Inácio)   

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

"MUITA PALHA... E POUCO GRÂO

O TRATAMENTO DESTE ADÁGIO EM POESIA IRÓNICA E SATÍRICA TEM A INTENÇÃO DE, BRINCANDO COM A LINGUAGEM, CONTRIBUIR PARA UMA CERTA CRÍTICA DOS COMPORTAMENTOS. NÃO É PORQUE EU SEJA UM MORALISTA...QUERO APENAS EVIDENCIAR A MORAL SUBJACENTE AO ADÁGIO EM QUESTÃO E DIVULGAR UM POUCO A RIQUEZA DA SABEDORIA POPULAR QUE LHE VALORIZA O CONTEÚDO.

" MUITA PALHA, E POUCO GRÃO"
É caso para perguntar,
onde é que fomos buscar
tão saboroso pregão...
que, por ser curto, é então,
designado de rifão?
Envolto em sabedoria
e em saborosa ironia
carregada de sugestão.

Vem do simbolismo antigo
que se coloca ao abrigo
de uma linguagem concreta
para atingir a sua meta...
e, faz parte da seleta
popular, mas não pateta...
que o povo trouxe consigo.

Coberto com um discurso
feito de simplicidade,
mas, de grande acuidade...
Fez, então, o seu percurso,
como irónico recurso,
contra toda a falsidade
e sempre a bem da verdade.

Que, no juízo diário,
sobre a humana fraqueza,
às vezes, é necessário
pela sua subtileza,
para criticar, com franqueza...
o discurso do precário
a querer fingir de grandeza...

Quando a promessa é promessa
que não passa de conversa;
Quando a conversa é fiada...
a razão está corrompida,
se fala sem dizer nada...
ou, quando nas eleições...
são bonitos os sermões
mas a promessa é esquecida.
E, enfim... em casos mais
e que são outros que tais...
E, noutras ocasiões
em que se fala demais
e se ultrapassa a medida.

Sempre, em cada situação
em que é clara a falsidade...
se usa, com propriedade
o nosso velho rifão.

Se confunde quantidade
com razão e qualidade
e se instala a confusão...
Ou parvo a fingir esperteza...
Vê-se, logo, com clareza...
"MUITA PALHA, E POUCO GRÃO"

 Matos Serra
In, Tratamento dos Adágios Populares.
 (Este poema é um prémio literário)

domingo, 20 de outubro de 2013

POEMAS DO TEMPO DA GUERRA COLONIAL


FOLHINHA SOLTA 


"AMOR EM TEMPO DE GUERRA

Poema enviado de Luanda em Junho de 1961, depois da segunda missão de combate, ao termos regressado de campanha para uns dias de descontração.



Folhinha solta caindo,
vista através da janela,
aquele rosto tão lindo...
que eu estou vendo é o dela.

É um rosto imaginado,
quantas ternuras lhe devo...
quanto amor, quanto cuidado
que a recordar nem me atrevo...

Que me dói sempre a lembrança
de tanto amor por haver...
Virão tempos de bonança
de não mais amor perder.

Até lá vamos guardar,
cada qual o mais profundo,
para um ao outro dar...
o maior amor do mundo!!!

 Matos Serra, in AMOR EM TEMPO DE GUERRA

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

POEMAS DO TEMPO DE GUERRA

NUM POSTAL ENVIADO DENTRO DE UMA CARTA A PARTIR DE ANGOLA - JULHO DE 1961 - ESCRITO AO CORRER DA PENA COM MUITA TERNURA E DURA SAUDADE.

 AMOR EM TEMPO DE GUERRA

Meu amor. - Recebe um beijo
que te devo desde há tanto...
Ò... há quanto te não vejo...
que de não chorar me espanto
e me espanto de desejo!

ÒH... Esse abraço devido
que te darei de regresso...
e o meu gesto contido
cada vez que me despeço
para me não veres abatido...

ÒH... Quanto vale  o amor
que já temos no haver...
Será feito quando for...
mas... não o vamos perder
porque é bom de enlouquecer!

O amor que não fazemos
e a grande dor sentida
da nossa separação...
Vamos ver se o não perdemos...
e, como contrapartida,
amarmos até mais não.

 Matos Serra, in POEMAS DO TEMPO DE GUERRA

sábado, 12 de outubro de 2013

POEMAS DO TEMPO DE GUERRA - O AMOR EM TEMPO DE GUERRA

POEMA SIMPLES - EXPRESSO NO FINAL DE UM AEROGRAMA ENVIADO A PARTIR DE ANGOLA - AGOSTO DE 1968 NUMA CARTA DE AMOR Não me chega o pensamento para tanto em ti pensar, irei 'screver com mais tempo quando o tempo me chegar. Transborda meu pensamento, como do vulcão a lava, lembranças daquele tempo em que contigo aí estava. Não sei se é mais dura a vida do que grande é este amor... porque enquanto a vida for este amor é sem medida. E sem medida é também esta grande saudade que eu sinto, por ti, meu bem! Ó amor... quanto me invade! Por isso... meu grande amor, eu te envio o maior beijo... Beijo tão grande, tão grande... e muito, muito desejo de que este tempo desande para aquele grande abraço... que... não me peças que o mande, porque não cabe no espaço!!!!!..... Matos Serra, in POEMAS DO TEMPO DE GUERRA

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

HOMENAGEM AOS BOMBEIROS DE PORTUGAL

ACRÓSTICO DE RECONHECIMENTO E GRATIDÃO

B   riosos lutadores contra o inferno
O  nde as chamas devoram a paisagem,
M ilitam com denodo e com coragem,
B  atem-se a debelar um perigo interno
E  ntrando decididos no averno
I   indómito, no pico da estiagem...
R  ecobram as riquezas da voragem
O  nde o horror é cíclico e eterno.
S  ubmersos num terror de fogo e chamas
D  esprezam o conforto em fofas camas
E  nquanto outros dormitam nos seus leitos...
P  rescrevem para si a ousadia...
O  usar é seu condão do dia a dia
R  esolutos, à luta ... sempre, afeitos.
T  endo por lema a luta e a entrega,
U  nidos, sempre alerta no seu posto,
G  arantem o que é justo e não se nega...
A  vançam como herói que na refrega
L  evanta, erguido, o peito... e, dá o rosto.

     Matos Serra

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

HOMENAGEM A TOMÁS ALCAIDE

A Tomás Alcaide, grande cantor lírico, natural de Estremoz, uma das mais belas vozes portuguesas de sempre, que eu costumo apelidar de "UMA VOZ DA PLANÍCIE" em louvor das gentes alentejanas.

TÍTULO DO POEMA: A RIQUEZA EM TUA VOZ

Andaste plagiando os rouxinóis
em ledas madrugadas e em tardes de arrebois...

E, roubaste ao vento uma harpa de encantar
para competires com Zéfiro, ciciante sobre o mar.

Andaste imitando o murmúrio da cachoeira
para espalhares alvoradas de som p'la Terra Inteira...

Andaste reproduzindo o soprar da terna brisa
e copiando o meigo Bóreas que desliza...

Retiraste à natureza os dons da melodia
para dares o tom e a cor à poesia...

E, colocaste tudo isso em tua voz
para conseguires desvanecer a todos nós.

E ganhou tanto... a cultura em Portugal,
com teu talento e tua arte genial...

À tua arte se rendeu todo o mundo, e, na cidade,
tudo o que foi teu hoje é profundo e traz saudade...

E´ foste Alcaide em nome e Alcaide em arte,
para levares nosso lirismo a toda a parte.

  Matos Serra in, Alentejo, Suas Terras e Suas Gentes.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

NÃO DEIXEMOS PERDER A LIBERDADE

NÃO QUEIRAMOS SER POVO ESCRAVO E ESTULTO

SONETO DA INDIGNAÇÃO II

Num mar que invada as ruas da cidade
de gente, e que provoque um tal tumulto
que devaste a afronta e o insulto
e nos traga de volta a dignidade!

Não haverá desculpa nem indulto...
se deixarmos perder a liberdade
para voltarmos a ser a sociedade
de um povo... que nos querem, escravo e estulto.


Que, em nome da Pátria e da razão,
se alevantem as vozes num tal grito!...
a despertar a alma da nação...


porque a hora é de luta e é de ação!....
O que pode ser crime ou ser delito
é calarmos a nossa indignação!


  SÓ NÃO SE INDIGNA PERANTE A PÁTRIA
  MALTRATADA... QUEM EM VEZ DE SANGUE
  PORTUGUÊS TIVER NAS VEIAS ÁGUA CHOCA.

    Matos Serra

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O PÁRA ( QUE NUNCA POR VENCIDO SE CONHEÇA)


            SONETO

Desafiando, audaz, as leis da morte...
o pára... é valente e nunca pára,
pertence, em seu país, à gente rara
que lhe serve de escora e de suporte.

Cultiva o ideal de ser forte...
e, por isso, se treina e se prepara...
servindo a Pátria Amada que lhe é cara
treinando-se na arte de Mavorte!

O pára, ao descer do céu à terra,
mantem-se sempre calmo e consciente...
tanto em tempo de paz como na guerra!

Em qualquer imprevisto que apareça
faz sempre jus ao lema transcendente:
"QUE NUNCA POR VENCIDO SE CONHEÇA"


Matos Serra, Tenente-Coronel, antigo instrutor para-quedista
e veterano de guerra.
Soneto dedicado a todos os seus camaradas de armas.

sábado, 6 de julho de 2013

MARVÃO II

CONCURSO DE POESIA TRADICIONAL, DÉCIMAS - 08/09/2001, Último Ano dos Jogos.
TEMA: MARVÃO
TÍTULO: ALEGORIA DO MARINHEIRO
MOTE DE JOSÉ FANHA
CLASSIFICAÇÃO: 1-º PRÉMIO (Entre algumas centenas de trabalhos)

    MOTE
Marinheiro coração,
toda a vida a navegar...
Se um dia vens a Marvão
nunca mais voltas ao mar.
1
Se quiseres vir instalar-te
na poesia e no sonho,
navegar num mar risonho,
habitar um baluarte...
ou... decidires tomar parte
num perfeito galeão
para teres a gratidão
de um oceano de amor...
vem banhar-te em luz e cor
marinheiro coração.
2
Vem abrir a alma ao vento
e viver junto às estrelas,
onde, à noite, podes vê-las
navegar no Firmamento
para lograres o doce intento
desta Barca do Luar...
ou, se queres vir habitar
mesmo pertinho do céu...
vem... que, aqui, o mundo é teu
toda a vida a navegar.
3
Aqui é porto de abrigo
e repouso do guerreiro,
descanso do marinheiro,
trincheira de qualquer perigo...
o céu e a terra contigo
em perfeita comunhão.
Vem viver num bastião
neste imenso Mar do Sul...
Ficarás ébrio de azul
se um dia vens a Marvão
4
Vem ver as águias vogando
no Mar da Tranquilidade,
em perfeita majestade
no seu voo suave e brando.
Se quiseres viver sonhando
sobe a este patamar...
mas... bem te quero alertar
que... se cá vieres um dia,
te envolves nesta magia...
nunca mais voltas ao mar.

Matos Serra in, Alentejo, Suas Belezas, Suas Terras e Suas Gentes.

terça-feira, 2 de julho de 2013

PERMANÊNCIA

Ambos antecipados
pelo tempo
alastramos na planície
a expectativa ácida
dos limos e da espera

naufrágios ilunares
de veias permanentes

Multiplica sangue
nas mãos
e nos rochedos

sentinelas de vento
no cume dos meus
dedos

RECORDANDO

Maria Teresa Horta in, Poesia Completa 1  - 1960-1966

domingo, 23 de junho de 2013

HEXÂMETROS

HEXÂMETROS PARA UMA MULHER BELA

Tão amorosa e linda,
terna, suave e bela...
eu, cá, não vi, ainda,
beleza igual à dela.

Feliz de quem a ama
e por ela é amado...
e se aquece na chama
do seu fogo sagrado.

Eu sei que vou morrer
de ternura e ciúme...
sem nunca conhecer
o fogo do seu lume.

Que nesse fogo vivo
eu queria ser queimado...
em seu amor cativo
e não mais libertado.

Matos Serra in, Amor e Sensualidade.

terça-feira, 11 de junho de 2013

O BANQUEIRO, A ISABEL E O PR.

ERA UMA VEZ UM BANQUEIRO
"Isabel Ulrich tem um emprego fixe"! Mulher do banqueiro é  consultora da cavacal figura... por despacho do Aníbal"

Era uma vez um banqueiro
a dona Isabel ligado...
vive do nosso dinheiro
mas nunca está saciado.

Vai daí, foi a Belém
e pediu ao presidente...
que, à sua Isabel, também...
desse um job consistente.

E o bom do senhor Cavaco
admitiu a senhora...
arranjando-lhe um buraco
e o cargo de consultora.

O banqueiro é o Fernando,
conhecido por Ulrich...
e que diz, de vez em quando,
"quero que o povo se lixe".

E o povo aguenta a fome?
"Ai aguenta, aguenta..."
e o que o povo não come
enriquece-lhe a ementa.

E ela... a dona Isabel,
com Cavaco por amigo...
não sabe da vida o fel
nem o que é ser sem abrigo.

Cunhas, tachos, amanhanços...
regabofe à descarada...
É fartar, que nós, os tansos...
somos malta bem mandada.

Mas cuidado... andam no ar
murmúrios de madrugada...
e quando o povo acordar
um banqueiro não é nada...

É só um monte de sebo,
bolorento gabirú...
fora do banco é um gebo...
um rei que passeia nu.

Cavaco, Fernando Ulrich,
bancos, troikas, capital...
"Mas que aliança tão fixe"
a destruir PORTUGAL !...

   HC